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Coloc. Nº Peito NOME TEMPO
1 99 João Batista Oliveira de Souza 19'50"
2 108 Antony Tevalle 20'12"
3 102 Andre luiz Campos Martins dos Santos 21'16"
4 7 José Givaldo Santos da Silva  21'50"
5 107 Andre Silva Rodrigues 21'52"
6 75 Eronildo José da Silva 21'55"
7 82 Francisco Romildo Paiva de Souza 21'58"
8 42 Fernando Gonzales Gil 23'25"
9 2 Raquel de Souza do Nascimento 24'12"
10 112 Marcos Lima Araujo 24'21"
11 203 Wilton do Amaral Pereira 24'31"
12 206 Rafael Gomes 24'44"
13 168 William Mendes Oliveira 24'45"
14 89 Leandro de Souza da Silva 24'52"
15 148 Rildo Freitas de Sousa 25'07"
16 37 Francisco da Silva Moura 25'18"
17 156 Manuel Valentim Pereira da Silva 25'20"
18 4 Willian de Souza Lemos 25'21"
19 14 Alexandre de Magalhães Barbosa 25'33"
20 79 Fabrício Leoncio 25'34"
21 67 Carlos Vagner da Costa Balbino 25'53"
22 21 Brigida Anjos de Figueiredo 26'10"
23 6 Antonio Manoel Teixeira 26'18"
24 1 Luiz Paulo Menezes Ramos de Azevedo 26'42"
25 53 Jose Carlos Oscar 26'49"
26 104 André Viana Gomes 26'59"
27 25 Carlos Roberto Gonçalves Valentim 27'04"
28 138 Ronaldo Gonçalves Carvalho 27'06"
29 131 Luiz Gustavo Andrade da Costa 27'08"
30 109 Armando Silva Barros 27'09"
31 134 Carlos Eduardo Melo 27'22"
32 46 João Aelçon Pereira 27'23"
33 171 Rubens da Conceição 27'31"
34 94 Paulo Codeceira Lopes Junior 27'32"
35 126 Paulo Cesar Cortez Paula 27'43"
36 85 Joselias Tarjino de Oliveira 27'44"
37 166 Vilson Brito de Jesus 27'45"
38 32 Edson Luiz Linhares de França 27'47"
39 50 João Alves Ribeiro  27'52"
40 31 Edson da Silva Torquato 28'07"
41 101 Andre Levis Lopes 28'11"
42 64 Carlos Eduardo de Castro Cappelli 28'16"
43 152 Juvenal Fernandes de Oliveira 28'18"
44 36 Jose Antonio Leite da Silva 28'19"
45 55 Jose Humberto de Oliveira Ferreira 28'27"
46 10 Francisco José Rodrigues 28'39"
47 121 Nilson Almeida de Araujo 28'49"
48 173 Valdimir Macedo da Costa 29'12"
49 176 Sidney Rocha de Mattos Junior 29'21"
50 169 Lucio Lucena da Cruz 29'29"
51 86 Lamertes Ferreira dos Santos 29'30"
52 60 Carlos Alberto da Cunha Brum 29'50"
53 68 Cintia Lima dos Santos Xavier 29'59"
54 164 Rubens Reinaldo Santana 30'00"
55 5 Roberto das Neves 30'03"
56 133 Renato de Azevedo Raymundo 30'11"
57 48 João Paulo Silva Araujo 30'18"
58 41 Vitor Emanuel Rodino Lemes 30'19"
59 97 Luiz Roberto Teodoro de Assunção 30'20"
60 47 Edmar dos Santos da Costa 30'33"
61 91 Ivan Faria de Moraes 30'58"
62 62 Carlos A. Rocha 31'07"
63 162 Marcio Pierri Freitas Costa 31'26"
64 26 Cassio Melo Cardoso 31'28"
65 114 Mario Celso da Gama Lima Junior 31'30"
66 43 Helio Luiz de Oliveira 31'46"
67 98 Marcello Morone 32'05"
68 71 Edson Gomes dos Santos 32'08"
69 49 Joaquim Soares Rezina 32'10"
70 130 Raimundo Correia de Andrade 32'16"
71 205 Vilsa Carla da Silva 32'24"
72 115 Marcos Tito Canellas 32'39"
73 136 Rodrigo Klinger de Freitas 32'44"
74 128 Rafael de Lima Freitas 32'46"
75 61 Paulo dos Reis de Carvalho 32'50"
76 194 Claudio Osório Augusto 32'53"
77 111 Jorge Sebastião Leal Marateo Junior  33'00"
78 197 Jairo Ferreira Santana 33'13"
79 124 Ozias Corrêa 33'27"
80 141 Temistocles Satiro Oliveira 33'29"
81 192 Marcos Queiroz Moreira de Andrade 33'30"
82 88 Guilherme de Oliveira Gama 33'33"
83 139 Rosana Mero de Souza 33'55"
84 63 Carlos Eduardo de Barros Mansur 34'00"
85 186 Leandro Martins Teixeira da Silva 34'04"
86 202 Wanyce Dias da Paixão 34'06"
87 81 Francisco Erasmo Souza 34'11"
88 135 Ricardo Mattos de Gouvea 34'12"
89 161 Marina Celia Aguiar 34'17"
90 17 Antonio Carlos Gomes 34'20"
91 180 Jorge Alves Pacheco 34'56"
92 116 Miguel Jackson Claudio Silva 34'58"
93 198 Jefferson Wolf Klajnman 35'03"
94 58 Roberto Carvalho 35'10"
95 110 Marcos André Martins Castilho 35'11"
96 69 Floramil Castilho 35'29"
97 145 Pedro Campos Junior 35'30"
98 40 Getulio Luiz Vantine 35'47"
99 199 João Carlos Amorim Torres 35'47"
100 204 Silvana Bitencourt Baptista 35'52"
101 187 Luis Fernando Almeida da Silva 35'57"
102 93 Paulo Cezar Gonçalves 36'08"
103 150 Jose Sabino 36'40"
104 118 Nei Vieira Trovão 36'44"
105 92 Marcos André de Carvalho 36'46"
106 20 Jose Pereira de Carvalho  36'47"
107 191 João Luiz Franco Ferreira 37'07"
108 122 Nilo da Silva 37'08"
109 142 Valdir Rosa dos Santos 37'13"
110 11 Alcenir Marzelli 37'21"
111 129 Rafael Romano Leal Marateo 37'33"
112 96 Luiz Jorge Menezes da Silva 37'34"
113 103 André Ricardo Dias da Silva 37'38"
114 19 Antonio Henrique Silva França 37'39"
115 24 Tania Dargam 37'40"
116 56 Rosane Gendzel 37'51"
117 66 Edgar Alvares Filho 37'59"
118 143 Rodrigo de França Claudio 38'00"
119 167 Viviane Mendes da Silva S. Ribeiro 38'34"
120 146 38'36''
121 18 Antonia Ferreira da Luz 38'40"
122 196 Ivo Mannarino 38'43"
123 185 Lademir Soares da Mota 38'44"
124 38 Marcia Paghetti Maciel Gonzalez 38'48"
125 132 Reginaldo Franco 38'50"
126 95 Lúcia Regina Guimarães Senos 38'51"
127 172 Sandro de Barros Nobre 39'12"
128 13 Aglaise Ribeiro Rogick 39'15"
129 76 Fabio Guedes da Silva 39'18"
130 16 Aline Macedo Moisinho 39'21"
131 72 Antonio Fernandes Junior 39'24"
132 177 Sylvia Irene Nowy 39'25"
133 163 Renata das Neves dos Santos 39'31"
134 54 José Eduardo Prates de Miranda 39'40"
135 33 Érica Corrêa Cândido 39'41"
136 52 Jose Augusto da Silva 39'44"
137 100 Ana Maria Silva Senna 40'06"
138 80 Felipe Romano Leal Marateo 40'09"
139 200 Vera Lúcia Braccaioli 40'10"
140 84 Guilherme Neri Braccaioli 40'16"
141 123 Nilson Costa 40'20"
142 193 Carlos Frederico Palermo 40'25"
143 23 Fernando Ferreira Rodrigues 40'50"
144 149 Rosamaria de Aquino 40'55"
145 179 Vanilda Barreto 41'37"
146 151 Jupirani da Conceição Costa 41'40"
147 155 Luciana Mero de Souza 41'43"
148 39 Francisco Ferreira Gomes 41'54"
149 181 Jorge Sebastião Leal Marateo 42'36"
150 74 Edson Jurado da Silva 42'46"
151 119 Nelson Paula Martins 42'57"
152 183 Jose Bonifacio de Andrade  43'13"
153 70 Dirce Bonfim de Lima 43'20"
154 157 Marcio Ferreira da Silva 43'23"
155 8 Adriana dos Santos de Vasconcelos 43'24"
156 195 Carlos Roberto Siqueira Campos 44'41"
157 117 Narciso José de Mello Teixeira 44'48"
158 57 Jose Maria Araujo 44'58"
159 78 Nelson Duarte Couteiro 45'15"
160 178 Thaynara Alves da Costa 49'18"
161 120 Anderson Pinto da Costa 51'47"
162 188 Manuel Cruz de Araujo 56'24"
163 144 Nilzete dos Santos Alves 56'25"
164 189 Marcia Chaim Araujo 56'26"
6a Corrida da Turma da Quinta:

Para conhecimento de todos !!!
Dudu

Prezado Juliano,

O Ronaldo, que integra a Turma da Quinta é um dos "responsáveis" pela
minha paixão pelas corridas e me convidou para participar da 5a
Corrida da Turma da Quinta.

Atualmente estou treinando para a Meia Maratona do RJ e, dentro do meu
programa de treinamento, incluo a participação em corridas rústicas como
foi a da Quinta no último dia 29/4.

E é exatamente sobre a excelente organização dessa última corrida, que "deu
banho" em muitas provas grandes por aí é que desejo, na sua pessoa,
parabenizar toda a comissão organizadora do evento.

Realmente "tamanho não é documento", foi o que vocês nos provaram através
de uma organização exemplar, onde o respeito e a valorização dos
participantes esteve em primeiro lugar.

Realmente foi uma manhã de domingo inesquecível, embora eu tenha saído logo
depois do término da prova. A Corrida da Turma da Quinta passou a integrar
meu calendário permanente de corridas rústicas.

Parabéns, mais uma vez, e peço transmitir meus cumprimentos aos demais
integrantes da comissão organizadora.

Sds.,

Paulo Natal Pinheiro

CAINDO NA REAL

1 – O Desafio

Somos do Rio de Janeiro e pertencemos ao grupo de corridas chamado Turma da Quinta e foi aproximadamente em junho de 2006, que o Jairo propôs que fizéssemos um planejamento para um grande desafio: percorrer a Estrada Real desde Ouro Preto até Parati, pelo chamado Caminho Velho, que era usado pelos pioneiros para levar ouro e diamante desde Ouro Preto até a corte em Lisboa .
Seríamos 3 ciclistas (Laerte Rangel Palha, nascido em 25/07/1942, Jairo Paraguassú de Sá Roriz, nascido em 24/07/1941 e Salvador Juliano(Dudu) nascido em 05/12/1955) todos com bicicleta Caloi Elite Pro 27 marchas.

Fiquei encarregado do planejamento e a primeira indicação seria na 2ª quinzena de janeiro de 2007, após as tradicionais chuvas de verão que costumam cair em dezembro e no inicio de janeiro.Marquei a data de 20/01/2007 prevendo uma viagem de ônibus na noite de 18, com a chegada em Parati em inicio de fevereiro.

Começaram os problemas com as chuvas torrenciais que se estenderam pela segunda quinzena de janeiro e inutilizaram o planejamento. Trocamos o início do projeto para o  mês de maio, precisamente dia 24/05/07, quando partiríamos para  Ouro Preto começando a pedalar em 26/05/07.

2 – A História da Viagem

Dia 25/05/07, sexta-feira
Temperatura: mais ou menos 10 ºC
Altitude: Ouro Preto – 1150 m
Chegamos a Ouro Preto às 6 horas do dia 25, depois de uma noite de muito frio num ônibus da Única (passagem R$95,00, leito) . 

Fomos para a Pousada Hospedaria Antiga (Diária de R$110,00), pedalando pelo centro da cidade, parando para o café da manha na praça principal, de frente para o monumento aos Inconfidentes, local onde esteve exposta a cabeça de Tiradentes. Visitamos a Igreja de São Francisco, obra máxima de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho.

Nesse dia fomos a Mariana em uma linda viagem de trem, passando por quatro túneis, cachoeiras e rios dentro da mata. Tivemos grande prazer em ver a velha Maria Fumaça, ainda em funcionamento e poder recordar a infância nas viagens a Petrópolis e Campos com a família. Belas igrejas e muitas obras de Aleijadinho (entalhe) e Ataíde (pintura).   

Dia 26/05/07, sábado
Saída: Ouro Preto, Chegada: Ouro Branco
Quilômetros percorridos: 53
Tempo de viagem: 8:30 h
Temperatura na saída: 6ºC com vento
Piso: Asfalto e terra
Altitude: Ouro Branco- 1200 m

Saímos pelos fundos de Ouro Preto, cruzando a linha do trem em direção a Ouro Branco, com nossa meta prevista para dormirmos em Congonhas. Pela primeira vez estávamos pedalando com os alforges carregados com nossas tralhas  e algumas surpresas aconteceram quanto ao ajuste de pesos e fixação dos mesmos.

Nesse dia pedalamos mais ou menos 20 Km no asfalto com muitas subidas e saímos à esquerda em direção a Larvas Novas, por estrada de terra. Estávamos pela primeira vez na Estrada Real (Caminho Novo, que liga Ouro Preto ao Rio de Janeiro). No centro da cidade começaram os desencontros de informações sobre como continuar.

Seriam três opções:
A – Pegar uma trilha pesada para Santa Rita.
B– Voltar três quilômetros e pegar uma estrada de terra, também para Santa Rita e daí chegar no asfalto em Itatiaia, próximo de Ouro Branco.
C – Retornar ao asfalto.

Optamos pela terceira e retornamos 8 quilômetros, assim, a menos da visita à cidade  de Lavras Novas e o belo visual das serras ao longo da estrada, acabamos pedalando 16 quilômetros em vão.

Ao voltar ao asfalto acabamos empurrando bicicleta morro acima por mais quatro longas subidas. Conseguimos chegar a Ouro Branco em 8:30 h, completamente esgotados e com dores na região lombar.

Uma característica desse tipo de viagem é o excesso de informações ou a falta delas. Há muito pouca divulgação sobre o que seja o projeto Estrada Real, tanto nos hotéis e pousadas, como em termos de sinalização ao longo do caminho. As pessoas a quem solicitávamos informações pensavam sempre na forma como costumavam viajar, ou seja, de carro, esquecendo-se que a bicicleta tem muito mais versatilidade para passar em lugares acidentados e esburacados ou, ao contrário, te diziam que tal caminho não tinha muitas subidas. Claro, eles foram de carro e de bike a conversa é outra.

Ao parar para um lanche, já dentro de Ouro Branco, fomos informados que a afluência de técnicos, que estavam participando das obras de expansão das Açominas, tinham ocupando  todos os hotéis da cidade e que dificilmente acharíamos local para ficar. Pura história, pois, no primeiro hotel que entramos havia vagas (Hotel Vale do Ouro, R$100,00)

Dia 27/05/07, domingo
Saída: Ouro Branco, Chegada: São Brás do Suaçuí
Quilômetros percorridos: 50
Tempo de viagem: 7:00 h
Temperatura na saída: 15ºC com sol forte
Piso: Alfalto e terra
Altitude: São Brás do Suaçuí- 1053 m

Alteramos o planejamento deixando de passar em Conselheiro Lafaiette para conhecermos Congonhas e a Igreja de Bom Jesus do Matosinhos, daí  seguiríamos em direção a Prados, parando onde conseguíssemos chegar. Os profetas no adro dessa igreja consagram o Aleijadinho como grande escultor. Um turista com a camisa do Cruzeiro justificou a sua escolha clubística, dizendo: -Mióquiá, uai! 

Em Congonhas, no centro turístico na entrada da cidade, obtivemos informações precisas sobre a Estrada Real (Caminho Velho, que seguia até  Parati). O projeto do Instituto Estrada Real tem por objetivo que se ande sempre por estradas de terra e pela primeira vez no trecho vimos os marcos completos com coordenadas geodésicas, direção e as distancias até às próxima cidades localizadas antes e depois de cada marco.

Fomos por essa estrada de terra em direção a Alto Maranhão, passando pelas ruínas da Cadeia Pública .

Na igreja havia uma apresentação da “Folia de Reis” da cidade, embora já estivéssemos em maio, acabamos sabendo que na verdade essas “Folias de Reis” apresentam-se todo o ano, não se limitando apenas ao período do mês de janeiro. O ritmo é muito semelhante ao “Vira” português, mostrando a influência lusa na nossa cultura. Como já estávamos atrasados em relação ao projeto original optamos por seguir daí em asfalto pela BR -265.

Chegamos a São Braz do Suaçuí onde paramos pela ameaça de chuva que logo desabou forte e ficamos no Hotel Muralha (R$90,00 reais)

Dia 28/05/07, segunda-feira
Saída: São Brás do Suaçuí, Chegada: Lagoa Dourada
Quilômetros percorridos: 49
Tempo de viagem: 7:00 h
Temperatura na saída: 18ºC com sol forte
Piso: Asfalto
Altitude : Lagoa Dourada - 1053m

Saímos em direção a Lagoa Dourada, só que após 30 min tivemos o Dudu com uma forte indisposição alimentar motivada pela ingestão de algum presunto estragado no café da manha ou pelo forte apelo da culinária mineira. Na noite anterior havíamos jantado no restaurante do maior rubro-negro de Minas Gerais, que batia no peito dizendo que já eram quatro gerações assim,  pôster por todos os lados. A indisposição levou a uma mudança completa no planejamento e vimos que uma simples lingüiça poderia pôr a perder todo o passeio. Passamos a exercer uma fiscalização maior sobre o que comíamos. Tivemos a oportunidade de conhecer a hospitalidade e a solidariedade do povo do interior, através da proprietária do Charm Country, restaurante à beira da estrada, que colocou seu motorista a disposição para removermos o nosso colega até o médico mais próximo. Felizmente não foi necessário e assim ganhamos a estrada e conseguimos chegar à terra do rocambole - Lagoa Dourada - onde nos hospedamos na Pousada Vertente, que tem esse nome pelo fato de estar em cima do divisor de águas entre as bacias do São Francisco a leste e a do rio Paraná a oeste (preço R$75,00).

O grande herói do dia foi o Dudu que, mesmo debilitado, pedalou legal.

Dia 29/05/07, terça-feira
Saída: Lagoa Dourada, Chegada: Tiradentes
Quilômetros percorridos: 56
Tempo de viagem: 8:00 h
Temperatura na saída: sol e nuvens, temperatura mais ou menos 18ºC
Piso: Terra
Altitude : Tiradentes - 919 m

Passamos na fazenda Bandeirinhas e tivemos grande dificuldade para chegar em Prados devido às diversas opções de caminhos.

 Show de imprecisão nas informações. A cada informação a distancia para Prados era diferente, um dizia: - Farta 1 quilometro. Dez minutos depois, - Faltam 10 quilômetros para Prados”. Ao chegar criamos um grande reboliço na padaria da esquina. Três estranhos com capacete, calcas de lycra, luvas e bicicletas agitam qualquer cidade do interior e chovem perguntas. De onde vocês estão vindo? Vão para onde? São de onde? Como agüentam pedalar tanto? Qual a idade de vocês? O velhinho chegou e resolveu  debochar do colega, apontou dizendo:

- Esse ai não consegue pedalar nem inté Bichinho. Responde o outro: Sai pra lávéio bobo!

A famosa trilha pela mata ligando Prados a Tiradentes foi deixada para outra ocasião para tentarmos recuperar o atraso.Entre Bichinho e Tiradentes existe um museu do automóvel que trouxe muitas reminiscências, inclusive, com um exemplar do Ford 1937 igual ao do meu velho pai. Matamos saudades do Dauphine e Chevrolet Bel Air, uma preciosidade esse museu. Em Tiradentes ficamos na pousada Ponta do Morro (R$190,00 reais) e fomos visitar a cidade após um belo prato macarrão e uma pizza. Tiradentes, para quem não conhece é uma agradável surpresa. Muito bem conservada e limpa com prédios antigos em profusão.

Dia 30/05/07, quarta-feira
Saída: Tiradentes, Chegada: Capela do Saco
Quilômetros percorridos: 58
Tempo de viagem: 7:00 h
Temperatura na saída: nublado ,temperatura mais ou menos 8ºC
Piso: Terra
Altitude : Capela do Saco - 926 m

Saímos em direção a São João Del Rei e passamos pelo primeiro totem da Estrada Real. Lá chegando visitamos o museu ferroviário e o Solar dos Neves onde morou o ex-quase Presidente da República Tancredo Neves. A viagem para Caquende e a travessia para Capela do Saco era a meta do dia.

 

Ao pegarmos informações sobre o caminho, a primeira preocupação, a famosa balsa, movida a motor de trator, não estava operando. Mas, haviam barqueiros que poderiam nos atravessar de Caquende para a Capela do Saco cruzando os mais ou menos 300 metros da represa de Camargos.

O dia estava prometendo novidades. E se o barqueiro não estivesse lá? E se chegássemos à noite? Acabamos chegando a Caquende às 16:30 h, com a temperatura baixando rapidamente.

Enquanto tirava fotos fui informado existir uma pessoa com um pequeno barco, que estava transportando material de construção. Corremos ao ponto de embarque e ficamos tranqüilos ao ver que ainda haviam vários sacos de cimento a serem transportados. Logo após retornou o barqueiro. Por R$ 5,00 por pessoa fizemos a travessia  e na viagem fomos informados de outra grande novidade, a única pousada da cidade estava fechada, pois o dono abandonou a região e não estava pagando a sua empregada Sirlene, encarregada de receber os hóspedes.

Consegui convencê-la a abrir a pousada e nos abrigar, incluindo o fornecimento de uma boa janta, que devoramos rapidamente.

A vila, que na verdade é local de moradia de treze famílias, não tem mais que cem habitantes. A Pousada Reis (R$ 60,00 por três quartos), muito bem instalada é uma obra de grande investimento, feito por quem acreditou no projeto da Estrada Real que, efetivamente, não terá retorno em curto prazo.

Éramos os três únicos turistas que haviam aparecido em Capela do Saco nos últimos 30 dias, transformando a vida da pequena vila em um grande alvoroço. Nada havia - nem mercearia, nem bar, nem restaurante - só o pão artesanal da tia da Sirlene, muita paisagem bonita, frio e silêncio.

Dia 31/05/07, quinta-feira
Saída: Capela do Saco, Chegada: Traituba
Quilômetros percorridos: 61
Tempo de viagem: 8:15 h
Temperatura na saída: mais ou menos 6ºC com vento
Piso: Terra
Altitude : Traituba - 1029 m

Deixar Capela do Saco em direção a Carrancas foi como estar retornando à civilização. Sofremos muito com o frio nas duas primeiras horas, mas a expectativa por cruzar a montanha de Carrancas e de apreciar as cachoeiras era a motivação.

Fizemos um desvio para Itutinga, pegando o asfalto, evitando assim a estrada de muitas pedras que marcam a Estrada Real na travessia da serra.

No final da serra uma grande despencada morro abaixo até Carrancas. Voltamos para piso de terra e alcançamos a fazenda Traituba, que justifica tudo que já se disse dela nas paginas do site da Estrada Real. Muita historia das passagens de D. Pedro I por lá e  uma excelente recepção.

A cachacinha pura do marido da dona Luiza e a comida no fogão a lenha nos abasteceram de energia.

Dia 1/06/07, sexta-feira
Saída: Traituba, Chegada: Caxambú
Quilômetros percorridos: 60,4
Tempo de viagem: 7:20 h
Temperatura na saída: 10 ºC  sol com muitas nuvens à tarde
Piso: Terra com asfalto ao final
Altitude : Caxambú - 902 m

Foi o dia mais tranqüilo, passando inicialmente por Cruzilha, onde a Estrada Real, saindo do Norte, em direção a Paraty, encontra a estrada que era usada para demandar Goiás, outra área que foi grande fonte de riquezas naturais, especialmente ouro, também aberta pelos Bandeirantes.

Em Cruzilha, na padaria onde fizemos um lanche, um bêbado nos deu indicações precisas para passarmos por Baependi e chegarmos rapidamente a Caxambu. Visitamos o parque das águas minerais e enchemos as caramanholas com água gasosa magnesiana, um luxo. Ficamos no Grande Hotel, bem antigo e pagamos R$ 105, com direito a água quente que não esquentava nunca. Comemos o melhor espaguete da viagem.

Dia 2/06/07, sábado
Saída: Caxambu, Chegada: Passa Quatro
Quilômetros percorridos: 61,5
Tempo de viagem: 6:10 h
Temperatura na saída: mais ou menos 12ºC com chuva fina
Piso: Asfalto
Altitude : Passa Quatro - 1000 m

 Nesse dia completamos uma semana de pedaladas e fomos surpreendidos pela grande frente fria que chegou à região Sudeste e estacionou sobre o eixo São Paulo – Rio, trazendo chuva e frio para toda a região da Mantiqueira, Em Caxambu esperamos por 2 horas até que a 1ª chuva da manhã caísse.

Saímos às 9:30 e logo a chuva fria voltou e nos acompanhou até Passa Quatro. Um dia ainda descubro por que só passam quatro. Na chegada encontramos uma cidade longitudinal, toda calçada com paralelepípedos, que com a chuva escorregava como baba de quiabo. Felizmente ninguém caiu e fomos lavar as bikes na Pousada Eco da Montanha (preço R$160,00 por dois quartos), que tem uma área especificamente demarcada só para esse serviço. Pelo jeito costumavam receber muitos ciclistas. O dia seguinte, com a perspectiva de muita chuva estava prometendo. Jantamos em Passa Quatro no restaurante da Dona Filhinha.

Encontramos com o Taquara, ciclista e morador de Lorena que nos passou várias dicas para seguirmos viagem. Nosso plano inicial era a cruzar Via Dutra, entrando logo na região da Bocaina, em direção ao Bairro dos Macacos e Campos do Cunha. Soubemos que teríamos 2 subidas muito fortes. Melhor mudar os planos.

Dia 3/06/07, domingo
Saída: Passa Quatro, Chegada: Lorena
Quilômetros percorridos: 60
Tempo de viagem: 6:30 h
Temperatura na saída: mais ou menos 10ºC com chuva, nevoeiro e vento
Piso: Asfalto
Altitude : Lorena - 535 m

Descemos a serra com chuva, frio e nevoeiro. Não curtirmos as belezas da mata.

Encontramos um grupo a cavalo, que saiu de Passa Quatro e desceu por uma trilha acidentada. Um deles levou um tombo e estava cheio de lama.

Seguindo as dicas do Taquara,  pegamos uma pequena estrada à direita e passamos por Cachoeira Paulista. Daí pela SP-068 chegamos a Canas, às margens da Dutra e ficamos em Lorena, no Olympia Hotel (R$145,00 dois quartos).

Dia 4/06/07, segunda-feira
Saída: Lorena, Chegada: Cunha
Quilômetros percorridos: 70
Tempo de viagem: 9:30 h
Temperatura na saída: mais ou menos 2ºC com sol
Piso: Terra,  com  asfalto no segundo trecho
Altitude Cunha - 999 m

Ainda com as dicas  do Taquara cruzamos a Dutra e pegamos ao lado esquerdo da Yakult, em direção a Rocinha, que fica às margens da estrada SP-171 que liga Guaratinguetá a Cunha, trecho que já conhecíamos do passeio feito em 2004, quando pedalamos de Guará a Paraty.

Fomos em direção à Serra do Bonito (1113 m de altitude),  passando por um início de muita lama e atoleiro que batizou as bikes do Dudu e do Jairo e ainda tivemos que  empurrar as bikes 4 quilômetros morro acima e o Taquara foi muito xingado, mas, injustamente, pois economizamos muitos quilômetros na Dutra e na estrada SP-171 e essa opção nos afastou de uma subida forte saindo de Guaratinguetá.

Conseguimos atingir oito quilômetros após a cidade de Cunha e nessa hora, com o por do sol e a temperatura caindo, aliado ao esgotamento provocado pelo dia mais difícil da jornada, fomos obrigados a entrar na primeira pousada que apareceu.

Ficamos na pousada da Mata (R$210,00) num chalé com lareira e muito frio no lado de fora. A temperatura, na madrugada chegou a 2º C.

 Nesse dia, pela pressa em chegar, cometemos o maior erro do planejamento, pois pensavamos chegar em Paraty, totalizando 105 quilômetros. O sonho da chegada foi adiado para o dia seguinte

Dia 5/06/07, terça-feira
Saída: Cunha, Chegada: Parati
Quilômetros percorridos: 40
Tempo de viagem: 5:30 h
Temperatura na saída: mais ou menos 2ºC com sol
Piso: Asfalto,  com  terra na descida da Serra do Mar
Altitude: Parati – ao nível do mar

A chegada estava próxima, portanto, muita calma nessa hora. Nada de quebras e acidentes, Torcíamos para que as bikes, que até agora se comportaram como verdadeiras mulas de carga (especialmente a do Dudu) continuassem firmes. Só tivemos dois pneus furados por falha de fabricação ao colar as câmaras.

Saímos às oito horas com um frio de rachar e já empurrando bicicleta morro acima. Pegamos um dos trechos com o mais belo visual e chegamos ao topo da Serra do Mar (1515 m de altitude), divisa entre São Paulo e o Rio de Janeiro.

Mergulhamos na descida e logo avistamos Paraty, ao longe.

Depois de um longo tempo, cruzamos a Rio/Santos e entramos triunfantes na cidade de Paraty, buscando a rodoviária para em seguida pousar para a foto final na igreja da beira do cais. Embarcamos no ônibus das 16:20 h e corremos, epah! pedalamos para o abraço de nossos familiares.

3- Conclusões

3.1 - Tempo de viagem: 11 dias
        Tempo de deslocamento: 78:45 horas
        Quilômetros percorridos: 619
        Media de deslocamento: 7,9 km/h
        Custo de Hospedagem: R$ 1430,00

 3.2 - Recordes obtidos:
    1) o mais velho ciclista a completar a Estrada Real – Jairo - 65 anos 10 meses e 9 dias.
    2) O trio mais velho- Jairo, Laerte e Salvador - 182 anos 2 meses e 19 dias.
    3)O homem mais gordo- Salvador (Dudu) -103 kilos.
    4) O trio mais pesado- 265 kilos.

Nota : Esses recordes são apenas uma brincadeira para incentivar outros aventureiros.

4 – Mensagens

4.1 A todos

 Para aqueles que estão na praça jogando carta, no bar bebendo e fumando, no sofá assistindo TV de má qualidade, deixo um alerta: Nada é impossível, seja em qualquer idade ou fase da vida. Busquem os seus sonhos, saibam negociar com seus  familiares o apoio necessário.

 Não desistam nunca: Mais vale encontrar um insucesso tentando que, mais tarde, arrependido dizer: - Eu deveria ter tentado e não terei outra oportunidade.

Não me refiro, especificamente, a cada um percorrer a Estrada Real, mas, sobre todos os “distintos” sonhos que temos ou tivemos ao longo de nossas  vida e que acabamos por abandoná-los.

4.2 Ao Instituto Estrada Real

Após esta experiência ficou a impressão que o “projeto” Estrada Real necessita de melhor divulgação junto aos hotéis e pousadas, que devem receber informações precisas sobre as coordenadas do caminho, as distancias corretas etc..

O fato de percorrer a rota apenas para repetir o que os primeiros bandeirantes fizeram em busca do ouro ou diamantes, aliado ao desafio de vencer tão longo percurso, nos parece insuficiente para manter um fluxo de turistas que consigam sustentar uma estrutura hoteleira e de restaurantes.

A saída talvez seja buscar o apelo religioso, usando a força da fé católica como mote para  criar a vontade de cumprir esses desafios em busca de uma graça divina, à semelhança de Santiago de Compostela  e Padin Padi Ciço, que movimentam

milhões de pessoas nas suas romarias e peregrinações.

4.3  À Turma da Quinta

 Durante 24 anos fomos corredores e muitos ainda o são. Vários viraram ciclistas e andarilhos. A Turma da Quinta realiza a sua tradicional corrida em abril e agora começa a fazer excursões para caminhadas.

Entretanto, um desafio como a Estrada Real de bicicleta foi a primeira vez que se tentou. Vale dizer que muito colaborou para o objetivo ser alcançado, a integração, a busca da meta  comum traçada desde o primeiro planejamento e o fato de não ter havido atritos sérios entre nós. Foram essas as razões do sucesso.
“Um por todos, todos por um” (Vitor Hugo).

25/06/2007
Laerte Rangel Palha (larapa@oi.com.br)
Alvador Juliano (julianoneto@yahoo.com.br)
Jairo Paraguassú de Sá Roriz
(jparaguassu@jcom.com.br)

MAPA DO TRAJETO
LEGENDA (Previsto cor magenta – realizado em marron)